quarta-feira, fevereiro 8, 2023
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Com cenário ainda nebuloso, produção de veículos cresce 57,5% no primeiro semestre

Por Joana Lopo

O setor automobilístico brasileiro fechou o primeiro semestre com 1,74 milhão de veículos emplacados (alta de 32,8% em relação ao ano passado, mas queda de 17,9% comparado a 2019) e cerca de 1,15 milhão de montagem de novas unidades (57,5% a mais na comparação com o mesmo período de 2020), conforme balanço do primeiro semestre de 2021, da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores  (Anfavea) , apresentado na manhã de hoje (7), em coletiva realizada por meio do YouTube.

De acordo com o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, esses números não são para serem comemorados. “Apesar de termos montado 729 mil veículos a mais neste ano é bom atentar que em 2020 todas as fábricas ficaram paradas por até dois meses, o que impactou muito no setor. Numa comparação mais justa, com o primeiro semestre de 2019 (antes da pandemia), houve uma retração de mais de 300 mil unidades, ou seja, de 22%”, diz  Moraes, com base nos reflexos da pandemia no setor, assim como pela escassez de semicondutores, que afeta as montadoras em todo o mundo.

Maio foi o melhor mês para o setor, mas em junho os números sofreram uma baixa. A produção recuou em 13,4% e foi a maior queda em 12 meses. Segundo a Anfavea, esse quadro se deve à falta de peças e componentes eletrônicos, que pode causar paradas de produção, considerando que a produção global de semicondutores não cobre a demanda deste ano. “A demanda por tecnologia cresceu muito, principalmente em função da pandemia, e esse movimento não foi acompanhado de maior produção. Então essa falta de semicondutores só deve ser regularizada em 2022”, prevê.

Moraes estimou, durante balanço, que foram de 100 mil a 120 mil unidades que deixaram de ser produzidos no Brasil em função da falta de componentes eletrônicos. Isso impactou também nas vendas. As concessionárias sofreram queda de 3,3% em junho em relação a maio deste ano. Mas comparando ao mesmo período de 2020 houve alta de 37,4%, ou seja, o crescimento foi de 32,8% no primeiro semestre, em que se entregou um total de 1,07 milhão de unidades. Em relação ao estoque, este semestre fechou com 93 mil unidades, sendo 71 mil nas concessionárias e aproximadamente 22 mil nas fábricas.

Veículos pesados

O setor de veículos pesados, como o de caminhões e ônibus, pode comemorar, especialmente em função do excelente desempenho do agronegócio e do e-commerce. Foram produzidas 74,7 mil unidades no primeiro semestre e é o melhor resultado para o período desde 2014. Só em licenciamentos, o setor registrou 58,7 mil unidades de janeiro a junho.

De acordo com o vice-presidente da Anfavea para veículos pesados, Gustavo Bonini, foram 11.400 unidades emplacadas de caminhões. Da mesma forma, maio foi melhor resultado. “O número acumulado de janeiro a junho supera os últimos três anos e também é o melhor acumulado desde 2014”, disse Bonini, que apresentou os números de ônibus. Em junho, foram 1.400 unidades frente a maio, que foram 1.600. Em relação a produção de caminhão e ônibus foram 14.600 unidades produzidas em junho, sendo o melhor desempenho desde o ano de 2013, segundo Bonini. No total da produção, entre carros de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus houve alta de 69,6%.

Exportações

Para compensar os impactos sofridos internamente, o mercado de exportações deu um salto. Conforme dados da Anfavea, foram exportadas 33.500 mil unidades em junho, sendo 9% abaixo de maio, que foram 37 mil unidades, quando houve crescimento em relação a junho de 2020 de quase 73%. As exportações, no acumulado, tiveram aumento de 200 mil unidades, ou seja, quase 68% sobre o ano passado.

O presidente da Anfavea disse que o crescimento foi para atender mercados como México, Chile, Colômbia e Uruguai. “Em valor, foram R$ 3,6 bilhões em exportação. É o mais significativo devido a mudança do mix para o mercado externo”.

Geração de emprego

O setor gera 102,7 mil empregos. Em contratações registrou mais de 1.200 neste semestre, sendo que um dos maiores reflexos na queda de empregos, segundo o presidente da Anfavea, foi em função do fechamento da Ford no país. Com isso, a redução total foi de 2.556 postos de trabalho.

Futuro

Com esse balanço, a  Anfavea precisou rever suas projeções. A produção total, que era estimada em 2.520 mil unidades (alta de 25% sobre 2020), foi reduzida para 2.463 mil (alta de 22% sobre o ano passado). Separando leves e pesados, a alta na produção estimada 2021/2020 caiu de 25% para 21% no segmento de automóveis e comerciais leves, e subiu de 23% para 42% no caso de caminhões e ônibus.

Já para as vendas internas, a expectativa é de 2.320 mil licenciamentos (elevação de 13% sobre o ano anterior), ante os 2.367 mil previstos no início do ano. Automóveis foram revistos para baixo, enquanto comerciais leves, caminhões e ônibus foram revistos para cima.

Por fim, as exportações foram revisadas de 353 mil para 389 mil na expectativa do ano, uma esperada alta de 20% sobre 2020. “O principal desafio no segundo semestre será o semicondutor, sem dúvida. Com a normalização da oferta e a recuperação da economia, com os serviços funcionando, a volta do consumo e a vacinação teremos um 2022 muito melhor. Vai ser bom para a sociedade e para a economia. Então, pensando no próximo ano, precisamos administrar melhor a falta de semicondutores. E vamos celebrar a vida depois desse momento”, finaliza Moraes.

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