segunda-feira, janeiro 30, 2023
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Com sete meses de vida, Pix cai no gosto do brasileiro

Por Joana Lopo

Desde que entrou em operação, em meados de novembro, até 31 de maio, o Pix – novo sistema brasileiro de pagamentos instantâneos – movimentou cerca de R$1,4 trilhão. Neste período, mais de 253 milhões de chaves foram cadastradas, em um total de 85 milhões de usuários pessoas físicas, sendo que 45 milhões são de consumidores que não possuem conta bancária, já que é possível fazer pagamentos e transferências por meio de carteiras digitais, uma das vantagens do Pix.

Há, ainda, mais de 5,5 milhões de empresas que oferecem o Pix como meio de pagamento, conforme o Banco Central. Ao todo, foram feitas 2 bilhões de transações. “Todo esse avanço se deve à digitalização da população ao longo dos anos e ao plano do Banco Central de modernizar os meios de pagamento do país, assim como já acontece nos Estados Unidos e Índia. Atualmente, somos o 8º país que mais usa um serviço de pagamento instantâneo”, observa o fundador e CEO da plataforma de pagamento Spin Pay, Alan Chusid.

Para ele, o Pix se firmou por oferecer um serviço sem custos para a população usar a qualquer momento do dia, inclusive aos feriados, diferentemente das outras transações que têm exigências de horário. “É claro que a sua gratuidade atrai, mas a rapidez com que a transação é feita é uma das características mais atraentes. Não há mais preocupação se o pagamento realmente foi feito ou espera para o boleto ser aprovado, além da não dependência do limite do cartão de crédito”.

As vantagens são também para as pessoas jurídicas. Segundo o CEO da Spin Pay, as empresas que aderem ao Pix também aumentam a taxa de conversão. “Por exemplo, em alguns dos nossos clientes foi entre 10% e 20% de todos os pagamentos. Enquanto o boleto possui uma conversão média de 40%, com o Pix, nossos clientes conseguem atingir conversões de 75% a 80%.

Mas para as pessoas jurídicas algumas instituições financeiras já cobram algumas taxas, que podem ser de até R$ 10 por transação. Outros bancos, como Nubank e Inter, as movimentações continuam gratuitas.

Sobre a sobrevivência das maquininhas de cartão de crédito, Chusid diz que algumas empresas lançaram soluções para Pix, como o Mercado Pago, por exemplo. “Já as maquininhas de fintechs saíram na frente, enquanto as de bancos maiores não. Porém, muitas ainda não têm ou nem se interessam em ter essa solução para Pix”, avalia.

Segurança nas transações

Embora seja um meio muito ágil de pagamento, o Pix é seguro, conforme BC e especialistas em segurança. O cartão de crédito, por exemplo, pode ser clonado, boletos adulterados, entre outros meios de fraude. Mas é preciso ficar sempre atento aos dados do recebedor na hora de fazer um pagamento e atentar aos links estranhos.

Em geral, as fraudes não ocorrem por falha no sistema, mas pelas artimanhas dos fraudadores, por isso é necessário prestar mais atenção nas pessoas que estão envolvidas na transação. De acordo com o CEO da Express CTB, João Esposito, caso a pessoa receba algum recado em nome do Banco Central e quiser comprovar sua veracidade é preciso entrar em contato com a instituição por meio do número de telefone, correspondência ou presencialmente em sua sede. Todas as informações de contato ficam disponíveis no BC.

“Em caso de golpe através do Pix, a recomendação é, primeiramente, realizar um Boletim de Ocorrência na polícia. Em seguida, registrar uma reclamação junto ao banco em que o golpista recebeu o dinheiro. Para isso, é necessário apenas informar os dados da conta utilizada para realizar o crime, dados esses que podem ser encontrados facilmente no comprovante de transferência”, explica.

O que vem por aí

Conforme divulgou o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, no site do BC, no primeiro trimestre deste ano foi disponibilizada uma nova funcionalidade, que é o Pix Cobrança. Trata-se de uma modalidade voltada para os pagamentos com vencimento, que possibilita o cálculo automático de multa e juros ou descontos para pagamentos antecipados, de forma similar ao boleto. A gestão da cobrança é feita por meio da Pix API, padronizada pelo BC.

Pix Saque e Pix Troco

O BC também prevê a implementação do Pix Saque e do Pix Troco, que passaram por consulta pública para registro de sugestões de melhoria da operação. As duas novas funcionalidades estão previstas para serem implementadas no segundo semestre deste ano. Com isso, será possível a retirada do dinheiro em espécie por meio do Pix.

De acordo com Campos Neto, até o final do ano ainda surgirão outras novidades, como a inclusão da conta salário na lista de contas movimentáveis pela transação, Pix aproximação, para dar mais facilidade e conveniência na iniciação de um Pix e para atender casos de uso específico; possibilidade de fazer Pix entre usuários que estejam sem acesso à internet, ampliando o acesso da sociedade ao serviço; iniciador de pagamentos no Pix, com desenvolvimentos que seguirão a especificação técnica definida no âmbito do Open Banking, para permitir que os iniciadores possam ser participantes do Pix, agregando ainda mais competição ao ecossistema.

Saiba mais em https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/pix

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