terça-feira, janeiro 31, 2023
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Economistas e setor produtivo repercutem resultado do PIB do primeiro trimestre

Por Joana Lopo

Após avanço em 1,2% do PIB brasileiro, economistas e representantes do setor empresarial  preveem um ano de retomada da economia, com crescimento entre 4,5% e 5,5% até o final de 2021. A vacinação em massa e retomada do auxílio emergencial são avaliados como principais propulsores do mercado, de acordo com especialistas ouvidos pelo INEWSBR.

Mas para que isso ocorra, especialistas concordam que é preciso combater os riscos que mais acendem a luz vermelha do cenário econômico, como o aumento de casos e mortes por covid-19, o risco fiscal e o elevado número do desemprego, que faz o consumo despencar.

Veja o que dizem os especialistas

Claudio Considera, doutor em Economia (UFF) e  pesquisador Sênior do Instituto Brasileiro de Economia (FGV IBRE) 

“Para o PIB do ano, o IBRE projeta crescimento de 4,2%. Mas se houver uma terceira onda os números serão menores, sem dúvida. O segundo trimestre dará resultado positivo em relação ao trimestre do ano passado, até porque foi um vale da economia, a economia foi desligada. Nesse segundo trimestre a economia estará ainda sob impacto da pandemia, mas vários setores se ajustaram e passaram a funcionar. Mas o segundo trimestre em relação ao primeiro trimestre deste ano, deverá ser um número negativo, mostrando que a velocidade de recuperação não será mantida”.

Gustavo Casseb Pessoti, vice-presidente do Conselho Regional de Economia da Bahia (Corecon-BA)

“O resultado do PIB não surpreende. A depender da ótica que use para analisar, ao final do ano passado, as expectativas de crescimento para 2021 eram da ordem de 3% a 3,6%, sendo que algumas instituições apostavam ainda mais alto, entre 4%. Então se você parte de uma ótica de que o ano de 2021 teria um crescimento de 3% a 4% era óbvio esperar que essa recuperação começasse a acontecer já no primeiro trimestre. Então a taxa de crescimento foi relativamente baixa, embora nesse momento de pandemia, de instabilidade econômica e notícias ruins, a gente tenha que comemorar cada vitória. Por isso, para o ano, a minha expectativa é em torno de 3% a 3,5%, a depender do avanço da vacinação e do sobe e desce da economia”.

Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) 

“Esperamos continuidade do processo de crescimento, com fechamento da variação do PIB no ano de 2021 em 5,7%. Surpresas positivas, como por exemplo a aceleração do processo de vacinação, melhoria no desempenho das exportações e na confiança do consumidor, poderão elevar o crescimento do ano a 6%”.

João Paulo Caetano, coordenador de Contas Regionais da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI)

“Esse era um resultado esperado para a economia brasileira no primeiro trimestre em função da retomada da maioria das atividades econômicas. Mas poderia ter sido melhor se não tivéssemos passado pela segunda onda da Covid-19. O baixo valor do auxílio emergencial e a redução do total de pessoas beneficiadas impediu maior impacto positivo dessa variável sobre a economia brasileira. Mas a expectativa, tradicionalmente, para o desempenho do segundo trimestre é melhor do que para o primeiro, entretanto, uma terceira onda implicará em impactos negativos para setores de turismo, teatro, cinema, festas, bares e outros. Apesar disso, com a evolução da vacinação da população, espera-se que a terceira onda tenha um efeito menos perverso sobre a saúde da população e sobre a atividade econômica”.

Étore Sachez, economista-chefe da Ativa Investimentos

“O resultado do PIB do 1T21 com avanço de 1,2%, comparado ao 1T20, divulgado pelo IBGE, surpreendeu a Ativa Investimentos. A corretora esperava alta de 0,5% e a mediana do mercado era de 0,9%. O PIB do ano deverá ser revisto muito em breve para algo ao redor de 4,0%. Consequentemente, a inflação também deverá ser revisada, a partir do atual patamar (de 3,4% para 2022), além da projeção da Selic”.

 

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