quinta-feira, abril 2, 2026
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Oncoclínicas enfrenta crise de liquidez e pressiona operações no Brasil

A Oncoclínicas (ONCO3), maior rede de tratamento oncológico do país, atravessa uma crise aguda de liquidez que já impacta diretamente suas operações.

Com caixa estimado em menos de R$ 100 milhões, a companhia tem enfrentado dificuldades no abastecimento de medicamentos, incluindo quimioterápicos, o que levou à remarcação de tratamentos em grande parte de suas unidades.

Fornecimento sob pressão

A situação com fornecedores se agravou após a Oncoprod, principal parceira da rede, atingir seu limite de exposição de crédito.

Com isso, a distribuidora passou a liberar novos medicamentos apenas mediante pagamento, adotando um modelo de crédito mais restritivo que compromete a regularidade do abastecimento.

Endividamento elevado

A crise financeira reflete anos de expansão acelerada baseada em alavancagem.

  • Dívida líquida: R$ 4,2 bilhões (3º tri de 2025)
  • Alavancagem: cerca de 6x Ebitda
  • Limite contratual (covenants): 3,5x

Em novembro de 2025, a empresa realizou um aumento de capital de R$ 1,4 bilhão, mas a operação ocorreu majoritariamente por conversão de dívida em ações, sem entrada relevante de novos recursos em caixa.

Risco de quebra de covenants

A companhia convocou assembleia de debenturistas para discutir a renúncia prévia ao direito de declarar inadimplência.

Além disso, adiou a divulgação do balanço do quarto trimestre de 2025, de 30 de março para 9 de abril, em meio à expectativa de descumprimento de indicadores financeiros.

Pressão de investidores e possíveis saídas

No campo societário, a gestora Mak Capital, que detém 6,3% da empresa, solicitou a destituição do atual conselho e propôs um empréstimo-ponte de até R$ 500 milhões.

Paralelamente, Porto Saúde e Fleury negociam a criação de uma nova companhia com os principais ativos da rede.

A possível operação é vista por analistas como uma venda em condições de fragilidade, o que pode reduzir o valor dos ativos e diluir os atuais acionistas.

Impacto no setor

A crise da Oncoclínicas acende um alerta no setor de saúde suplementar, evidenciando os riscos de modelos de crescimento baseados em alta alavancagem e dependência de crédito, especialmente em um ambiente de juros elevados e maior seletividade de capital.

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