A escalada do conflito no Oriente Médio passou a influenciar diretamente o agronegócio brasileiro. Após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, o mercado internacional já precifica petróleo mais caro, dólar pressionado e aumento dos custos logísticos globais.
Somente nesta rodada de tensão, o petróleo acumulou alta superior a 10%, impactando imediatamente o preço do diesel. O encarecimento do combustível eleva o frete rodoviário, enquanto o aumento do risco geopolítico também pressiona o seguro marítimo, ampliando o custo por quilômetro rodado e por milha navegada.
Nos insumos agrícolas, o alerta é ainda maior. O Irã é um dos principais produtores mundiais de ureia, e mais de 40% das exportações globais do fertilizante vêm do Oriente Médio. O Brasil importou cerca de 7,7 milhões de toneladas do produto em 2025, evidenciando a forte dependência externa.
Qualquer restrição logística no Estreito de Ormuz pode provocar forte volatilidade nos preços dos fertilizantes, afetando diretamente o custo de produção agrícola.
No lado das exportações, o milho também entra no radar. O comércio bilateral entre Brasil e Irã movimentou cerca de US$ 3 bilhões no último ano, sendo US$ 1,9 bilhão apenas do grão. Caso a crise se prolongue, pode ocorrer redirecionamento de cargas e maior disputa por mercados compradores.
A conjuntura mostra que, embora distante geograficamente, a geopolítica internacional influencia cada vez mais a rentabilidade do produtor rural brasileiro.
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