segunda-feira, março 9, 2026
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Exportações brasileiras de algodão somam 270 mil toneladas em fevereiro e mantêm ritmo positivo na safra

As exportações brasileiras de algodão somaram 270,5 mil toneladas em fevereiro, gerando uma receita de US$ 413 milhões, segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

O desempenho foi considerado satisfatório pela Associação Nacional dos Exportadores de Algodão, apesar de uma leve retração de 1,5% em relação ao mesmo mês do ano passado.

Entre os fatores positivos do período estão a retomada mais forte das compras pela China, responsável por 33,8% das importações do algodão brasileiro em fevereiro, e a manutenção do ritmo de compras pela Índia, mercado que vem ganhando relevância mesmo após o fim de um regime tarifário especial em dezembro.

No acumulado da temporada — entre julho e fevereiro — o Brasil exportou 2,12 milhões de toneladas de pluma, cerca de 48 mil toneladas a mais do que no mesmo período da safra anterior, quando os embarques somaram 2,07 milhões de toneladas.

Segundo o presidente da Anea, Dawid Wajs, o resultado mensal ficou dentro das expectativas do setor.

“As chuvas nas origens, principalmente em Mato Grosso, dificultaram a logística. Mesmo assim, no acumulado de julho a fevereiro seguimos um pouco à frente da safra passada”, afirmou.

Principais destinos

Além da China, outros mercados importantes para o algodão brasileiro em fevereiro foram:

  • Turquia – 16,8%
    • Bangladesh – 13,1%
    • Vietnã – 11,5%
    • Paquistão – 8,4%

Enquanto a Turquia manteve volumes semelhantes aos de 2025, o Vietnã registrou retração nas compras, influenciada pela maior presença do algodão norte-americano naquele mercado.

Já a Índia manteve volumes relevantes, indicando que o algodão brasileiro segue competitivo mesmo com a retomada de tarifas de importação.

Cenário internacional

A Anea também acompanha com atenção o cenário geopolítico global. Embora ainda não haja impacto direto sobre as exportações da fibra, as tensões no Oriente Médio podem aumentar os custos logísticos.

O principal risco seria um eventual bloqueio do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio mundial de petróleo.

Segundo Wajs, um aumento no preço do petróleo pode elevar custos logísticos e energéticos em toda a cadeia produtiva.

Por outro lado, a alta do petróleo também pode impactar o poliéster — principal concorrente sintético do algodão — já que o material é derivado do petróleo.

Outro ponto de atenção é a instabilidade na região entre Paquistão e Afeganistão, que pode afetar a economia paquistanesa, um dos principais destinos do algodão brasileiro.

De forma geral, o setor avalia que períodos de instabilidade internacional tendem a gerar maior cautela no consumo global de fibras.

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