sexta-feira, fevereiro 13, 2026
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Empresas em recuperação judicial batem recorde em 2025 e revelam estresse prolongado na economia

OBrasil encerrou 2025 com 5.680 empresas em recuperação judicial, o maior número desde o início da série histórica. O dado representa alta de 24,3% em relação ao ano anterior e acende um alerta sobre a saúde financeira do setor produtivo.

Mais significativo que o estoque total é o fluxo recente: foram 1.665 novos pedidos em 12 meses, crescimento de 35,2%, enquanto apenas 561 empresas conseguiram sair do regime no mesmo período. O resultado indica que o sistema está absorvendo mais companhias do que consegue reintegrar ao mercado, evidenciando um quadro de estresse prolongado — e não apenas um choque momentâneo.

Pico no quarto trimestre

O ponto de inflexão ocorreu no quarto trimestre de 2025, quando foram registrados 510 novos pedidos em apenas três meses. Os passivos declarados somaram R$ 40 bilhões, mais que o dobro do trimestre anterior.

Metade desse valor ficou concentrada em um único caso: o da Unigel, sinalizando um padrão de menor número de empresas com dívidas muito mais elevadas. Esse movimento aumenta o risco de contágio para cadeias produtivas, fornecedores e instituições financeiras.

Crise seletiva, mas com efeitos sistêmicos

Embora apenas 2,13 empresas a cada mil ativas estejam em recuperação judicial, a pressão é intensa em setores específicos. Agropecuária, indústria e infraestrutura lideram o índice de insolvência.

Regionalmente, o Centro-Oeste concentra maior pressão proporcional, enquanto Sudeste e Sul apresentam avanço relevante no número absoluto de casos. Trata-se de uma crise seletiva, mas com potencial sistêmico, já que bolsões de fragilidade irradiam riscos para o restante da economia.

Juros altos e novo perfil de recuperação

A taxa Selic elevada permanece como principal gatilho, encarecendo o crédito e pressionando o fluxo de caixa das empresas. No entanto, analistas apontam que o cenário vai além dos juros.

A reforma da Lei de Recuperação Judicial, em 2020, consolidou o instrumento como ferramenta recorrente de reorganização, ao mesmo tempo em que ampliou debates sobre possível uso oportunista do mecanismo.

Com crédito caro, financiamento DIP restrito, pressão sobre garantias e incertezas macroeconômicas, a expectativa é que 2026 registre menos pedidos, porém casos mais complexos, litigiosos e com impacto financeiro mais pesado.

Leia mais:

Pátria conclui aquisição da RBR e movimento reposiciona mercado de FIIs em meio à cautela com juros.

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