Sucesso de público e de programação, o tradicional Dia de Campo da Sementes Oilema, mais uma vez, ampliou o foco para além dos plots experimentais, dando ainda mais subsídios para o produtor nas tomadas de decisões, não apenas para a safra, mas para o futuro e a longevidade dos negócios. Mercado, geopolítica, gestão, sucessão familiar, além de manejo e do desempenho em campo das variedades atraíram a atenção dos presentes nesta edição, que foi realizada no último sábado, 7 de fevereiro, na Unidade de Beneficiamento de Sementes (UBS), em Barreiras (BA). Na ocasião, a Oilema divulgou a data do próximo dia de campo, que ocorrerá no dia 20 de fevereiro de 2027.
Nas dinâmicas de campo, nos plots experimentais, os participantes conferiram o desempenho de cultivares de soja e híbridos de sorgo. Aspectos como adaptação ao ambiente, sanidade, potencial produtivo e tecnologias embarcadas, puderam ser observados in loco, em situação de lavoura, contribuindo para uma avaliação técnica mais consistente dos materiais apresentados.
“A Oilema e sua equipe trabalham para oferecer um evento que supere as expectativas do ano anterior, tanto em organização quanto em conteúdo e público. Temos a preocupação de escolher palestrantes com temas atuais, capazes de contribuir não apenas com o público do agro, mas também de despertar o interesse de todos os visitantes. Mais uma vez, conseguimos atingir nossos objetivos”, afirmou o CEO da empresa, Celito Missio.
Cenário econômico como balizador
Durante o evento, o economista Anderson Galvão, fundador e diretor da Céleres Consultoria, apresentou uma análise do cenário de macroeconomia, geopolítica e do ciclo das commodities, apontando os principais desafios para o produtor brasileiro nos curto e médio prazos.
Segundo ele, o setor ainda atravessa um ciclo de baixa nas commodities agrícolas, especialmente na soja, o que exige foco na preservação de margem e de caixa. Para Galvão, o contexto projetado para 2026 e, possivelmente, 2027 não comporta movimentos de expansão de área ou investimentos elevados em máquinas e equipamentos.
O economista ressaltou que o momento pede aumento de eficiência dentro da própria operação, com eliminação de ineficiências e busca por ganhos consistentes de produtividade. “A produtividade é a moeda forte do agricultor, materializada em sacas de soja, milho ou arrobas de algodão”, destacou.
Outro ponto citado foi o enfraquecimento do dólar na economia global, com impacto direto na valorização do real. Taxas de câmbio abaixo de R$ 5,20 já comprometem a rentabilidade da soja em algumas regiões, enquanto um dólar abaixo de R$ 5,00 pode trazer riscos semelhantes aos observados na crise agrícola de 2005.
Diante desse cenário, ele reforçou que a prioridade estratégica do produtor brasileiro deve ser a garantia de receitas em reais, utilizando as ferramentas disponíveis no mercado para proteção de margens e sustentabilidade da operação.
Cultura empresarial
“As palestras retrataram, de forma muito clara, o momento que o agro atravessa atualmente, com temas como sucessão, manejo, mercado mais complexo e a necessidade de gestão rigorosa de custos. O retorno que recebemos dos produtores destaca a organização, o cumprimento dos horários e a forma como tudo acontece conforme o planejamento. Essa é a nossa cultura, e o Dia de Campo traduz isso na prática”, destacou o executivo comercial da empresa, Paulo Levinski.
Gestão estratégica
A programação incluiu também a participação da engenheira agrônoma Sheila Bigolin, doutora em Ciência e Tecnologia de Sementes, que abordou os fundamentos da produtividade, destacando a importância da genética, da qualidade fisiológica das sementes e da construção de ambientes produtivos para a expressão do potencial das lavouras.
O manejo de plantas daninhas foi tema da apresentação do engenheiro agrônomo Wilton Lessa, mestre em Proteção de Plantas e sócio da Solo & Planta Consultoria Agronômica. Segundo ele, a eficiência do sistema produtivo depende do planejamento. “Hoje, a principal decisão vai além da escolha do herbicida. Está na seleção estratégica de cultivares, na rotação de mecanismos de ação e no manejo antecipado, com impacto direto na eficiência operacional, na sustentabilidade e nos custos da lavoura”, afirmou.
A gestão e a sucessão familiar também integraram a programação, com a participação de Marielly Biff, fundadora da AgroGen Consultoria, que apresentou os pilares para a profissionalização das empresas rurais, com foco no alinhamento de expectativas entre familiares, capacitação, diagnóstico do negócio e implementação de governança. “Esses elementos são fundamentais para proteger o patrimônio, reduzir conflitos e garantir a continuidade dos negócios”, concluiu.
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