Os Correios deram um novo passo em seu plano de ajuste financeiro ao anunciar, na sexta-feira (6), a venda de imóveis próprios em diversos estados. A estatal pretende levantar até R$ 1,5 bilhão até dezembro com a alienação de ativos considerados ociosos, em uma tentativa de reforçar o caixa e sustentar suas operações.
Os primeiros leilões ocorrerão nos dias 12 e 26 de fevereiro, totalmente em ambiente digital e abertos a pessoas físicas e jurídicas. Nesta etapa inicial, 21 imóveis serão ofertados em 12 estados, entre eles São Paulo, Bahia, Minas Gerais e Paraná.
O portfólio inclui prédios administrativos, galpões logísticos, terrenos, lojas e apartamentos funcionais. Os valores iniciais variam de R$ 19 mil a R$ 11 milhões, conforme editais divulgados nos canais oficiais dos Correios e da leiloeira responsável.
A empresa afirma que a venda não comprometerá a prestação de serviços e que outros imóveis ainda passam por avaliação antes de futuras alienações. A medida integra um pacote mais amplo que busca reduzir despesas fixas e liberar recursos para investimento operacional.
Deterioração financeira e pressão de custos
Os números recentes evidenciam a gravidade da crise:
- 2022: prejuízo superior a R$ 700 milhões
- 2024: déficit de R$ 2,5 bilhões
- 2025: estimativa interna de R$ 10 bilhões de rombo (ainda sem balanço fechado)
O principal peso está na folha de pagamento. As despesas com pessoal passaram de R$ 15,2 bilhões em 2022 para quase R$ 20 bilhões em 2024, consumindo cerca de 60% da receita com salários e benefícios. Em resposta, a estatal lançou em 2026 um programa de demissão voluntária, com meta de reduzir o quadro em cerca de 15 mil empregados (de um total de 90 mil).
Perda de mercado e endividamento
No mercado de encomendas, os Correios perderam espaço: detinham cerca de 50% do segmento há seis anos e caíram para aproximadamente 20% em 2025, pressionados pela concorrência privada.
Para manter a operação, a empresa contratou R$ 12 bilhões em empréstimos, dos quais R$ 10 bilhões já foram liberados em 2026 com garantia do Tesouro Nacional. A estatal admite que pode precisar de mais R$ 8 bilhões ao longo do ano.
O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, reconheceu que o prejuízo de 2026 pode chegar a R$ 23 bilhões caso a trajetória de perdas continue.
Especialistas veem na crise um problema estrutural: parte defende redução mais agressiva de custos; outra aponta que a estatal pode precisar discutir privatização para competir em um mercado cada vez mais dinâmico.
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