Em meio à crise institucional que se seguiu à queda de Nicolás Maduro, a Starlink, controlada por Elon Musk, anunciou a liberação gratuita e temporária de seu serviço de internet via satélite em todo o território da Venezuela. A medida foi adotada poucas horas após a operação militar conduzida pelos Estados Unidos que resultou na captura do antigo líder do país.
Segundo a empresa, o acesso gratuito permanecerá disponível até 3 de fevereiro, com o objetivo de garantir que a população, jornalistas, organizações civis e serviços essenciais mantenham acesso à informação e comunicação durante o período de transição política e instabilidade institucional.
A iniciativa ocorre em um contexto de colapso parcial da infraestrutura tradicional de telecomunicações, agravado por cortes de energia e falhas recorrentes nas redes estatais. Entidades independentes de monitoramento da internet registraram quedas severas de conectividade em Caracas e em outras regiões do país ao longo das últimas horas, caracterizando um cenário próximo a um apagão digital.
Ao operar fora das redes terrestres controladas pelo Estado, a Starlink surge como uma alternativa técnica à censura e às interrupções históricas do sistema venezuelano de comunicações. No entanto, a abrangência da medida enfrenta limitações práticas: o acesso depende da posse dos terminais físicos (antenas), que não são comercializados oficialmente no país, o que restringe o alcance imediato da iniciativa.
Ainda assim, analistas avaliam que a liberação do sinal tem forte valor simbólico e estratégico, ao preservar canais mínimos de comunicação em um momento crítico e reforçar o papel crescente das redes privadas de satélite em cenários de crise política, conflitos e colapsos institucionais.
A decisão também reacende o debate global sobre soberania digital, poder das big techs e o uso de infraestrutura privada como instrumento indireto de estabilidade civil em contextos de transição de poder.
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