A Saks Fifth Avenue, por mais de um século símbolo do varejo de luxo nos Estados Unidos, entrou em Chapter 11, mecanismo da legislação norte-americana que permite a reorganização financeira de empresas em dificuldades. A medida foi adotada pela Saks Global, holding que controla a marca, em meio a uma combinação de alavancagem excessiva, apostas financeiras agressivas — como a aquisição da Neiman Marcus — e pressões estruturais sobre o modelo tradicional de department stores.
Na prática, o pedido de recuperação judicial não representa o encerramento imediato das operações. O plano prevê o uso do Chapter 11 para reorganizar a estrutura de capital, reduzir o endividamento, renegociar contratos com credores e tentar preservar o valor do negócio. Ainda assim, o processo envolve riscos relevantes, como o fechamento de unidades, enxugamento da operação e perda adicional de relevância frente a concorrentes mais ágeis e aos canais diretos das próprias grifes de luxo.
A crise da Saks reflete um movimento mais amplo no varejo premium global. Mudanças no comportamento do consumidor, crescimento acelerado do e-commerce, avanço do modelo direct-to-consumer das marcas e a queda do fluxo turístico em determinados mercados vêm pressionando estruturas pesadas e pouco flexíveis como as grandes lojas de departamento.
Fundada em 1867, originalmente como Saks & Co., a empresa evoluiu para Saks Fifth Avenue em 1924, com a inauguração da icônica flagship na Nova York, na Quinta Avenida. O endereço tornou-se um símbolo cultural da cidade e um ponto central do consumo de luxo para a elite americana e turistas internacionais.
O desafio agora é saber se a Saks conseguirá adaptar esse legado centenário a um mercado cada vez mais fragmentado, digital e orientado por experiências — ou se o Chapter 11 marcará o início de uma perda estrutural de protagonismo no luxo global.
Leia mais:
Estados Unidos suspendem emissão de vistos para brasileiros e cidadãos de outros 74 países.





