O petróleo da Venezuela voltou ao centro das atenções do mercado internacional após a deposição de Nicolás Maduro, em uma ofensiva terrestre liderada pelos Estados Unidos no último fim de semana. Em meio à instabilidade política e institucional, investidores e analistas começaram a reavaliar o potencial de longo prazo de um país que, por anos, permaneceu praticamente fechado ao capital estrangeiro.
Detentora das maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, a Venezuela viu sua indústria energética se deteriorar ao longo da última década, marcada por sanções internacionais, falta de investimentos, colapso operacional e perda de capacidade técnica. A mudança abrupta no comando político reabre o debate sobre a possibilidade de reconstrução do setor e sua reintegração gradual ao mercado global de energia.
Para parte do mercado, o momento vai além de uma crise geopolítica pontual. Charles Myers, presidente da Signum Global Advisors, afirmou que a Venezuela pode se transformar em um dos maiores projetos de reconstrução de infraestrutura da próxima década. Em entrevista ao programa Squawk on the Street, da CNBC, Myers estimou que os investimentos no país podem alcançar até US$ 500 bilhões nos próximos dez anos, abrangendo setores como energia, logística, telecomunicações, transporte e serviços básicos.
Apesar do otimismo de longo prazo, analistas destacam que qualquer retomada significativa da produção petrolífera exigirá tempo, estabilidade institucional e segurança jurídica. A infraestrutura existente encontra-se amplamente degradada, e a recuperação da capacidade produtiva dependerá não apenas de capital externo, mas também de reformas profundas na governança do setor energético.
No curto prazo, o mercado segue cauteloso. O petróleo venezuelano voltou ao radar estratégico global, mas a materialização de oportunidades dependerá da consolidação do novo cenário político, da definição de regras claras para investidores e da capacidade do país de reconstruir suas instituições. Até lá, o potencial da Venezuela permanece mais como uma promessa de longo prazo do que como uma solução imediata para o mercado internacional de energia.
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