A autorização concedida pelo Federal Reserve (FED) para que o Banco Inter abra uma filial bancária em Miami representa um movimento raro entre bancos digitais brasileiros. A decisão permite atuação bancária plena no mercado norte-americano, após o cumprimento de exigências rigorosas de capital, governança e compliance.
Em comunicado, o FED afirmou que o Banco Inter está sob supervisão consolidada do Banco Central do Brasil e que a abertura da filial não representa risco à estabilidade financeira dos Estados Unidos. A autorização diferencia o Inter de fintechs que atuam no exterior apenas por meio de licenças restritas ou parcerias locais.
Na prática, a filial em Miami permitirá ao banco captar depósitos em dólar, conceder crédito e oferecer contas, cartões e financiamentos diretamente a clientes internacionais. Com isso, o grupo amplia significativamente seu escopo de atuação, indo além das operações de pagamentos e corretagem que já mantinha no país.
O movimento também tem leitura estratégica em um momento de competição intensa no sistema bancário brasileiro e de margens pressionadas. A possibilidade de gerar receitas em moeda forte, sob regulação americana, reduz a dependência do ciclo doméstico e tende a melhorar a percepção de governança e solidez institucional junto a investidores globais. A própria administração do banco define a nova unidade como um hub bancário internacional, voltado à expansão da oferta fora do Brasil.
Apesar do avanço institucional, o principal desafio será converter o selo regulatório em rentabilidade. O mercado bancário dos Estados Unidos é altamente competitivo e opera com custos elevados de capital e compliance, fatores que podem pressionar retornos no curto prazo. Ainda assim, analistas veem a autorização como um passo relevante na internacionalização do banco e na consolidação de sua estratégia de longo prazo.
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