A Amil protagoniza um dos duelos mais acirrados do mercado brasileiro de planos de saúde ao disputar clientes de planos populares com a Hapvida. Em 2025, a Amil liderou o ganho líquido de novos beneficiários, avançando justamente sobre territórios historicamente dominados pela concorrente.
Até 2023, a Amil operava sob forte pressão financeira, com endividamento elevado e desafios operacionais. O cenário começou a mudar após a aquisição do negócio por José Seripieri Filho, conhecido como Júnior, em uma transação avaliada em R$ 11 bilhões. Desde então, a operadora acelerou a reestruturação e redesenhou sua estratégia comercial.
Em dois anos, a empresa superou a marca de 6 milhões de beneficiários, promovendo um verdadeiro “rouba-monte” sobre concorrentes no segmento de menor tíquete. Em novembro, enquanto a Hapvida — dona da maior carteira de clientes do país — registrou perda de 18 mil beneficiários, a Amil avançou justamente em regiões onde a rival mantinha maior participação.
A Hapvida atravessa um período mais turbulento, marcado pela integração complexa da NotreDame Intermédica, custos operacionais elevados e pela necessidade contínua de investimentos em hospitais e rede própria, fatores que pressionam margens e dificultam a expansão comercial no curto prazo.
Na outra ponta, a Amil apostou em um reposicionamento estratégico, com foco em produtos regionais, planos simplificados e preços mais competitivos, ajustados à realidade do público de menor renda. A estratégia tem permitido ganho de escala e retomada de protagonismo em um dos segmentos mais sensíveis e disputados da saúde suplementar.
O movimento reforça a intensificação da concorrência no setor e evidencia como execução comercial, estrutura de custos e posicionamento de produto passaram a ser determinantes na disputa por beneficiários em um mercado cada vez mais pressionado.
Leia mais:
Venda de ações de Nelson Tanure reduz pressão sobre a PRIO, mas não muda fundamentos no curto prazo.





